Exames que você deveria fazer aos 20, 30, 40 e 60 anos - Blog - Hospital Vera Cruz

25/05/2026

Exames que você deveria fazer aos 20, 30, 40 e 60 anos

Descubra quais são os exames mais importantes para detectar doenças e prevenir problemas sérios de saúde – e como eles mudam com o passar das décadas.

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O corpo está sempre em movimento, evolução e modificação – e a um ritmo impressionante. Em cada um de nós, para manter todos os processos biológicos funcionando, pelo menos 50 bilhões de células morrem e são substituídas todos os dias (isso corresponde a 1% da massa corpórea, assim como à criação de quase 4 milhões de novas células a cada segundo). É praticamente impossível compreender tanto dinamismo e complexidade.

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Some-se a esses processos naturais tudo o que realizamos de forma consciente e ativa ao longo da vida e que impacta nosso corpo – o que ingerimos, o quanto dormimos, os sentimentos que perpassam nossa mente, como nos exercitamos, como cuidamos de doenças… – e temos um cenário incrivelmente complexo, de inúmeros fatores que se cruzam e que resultam em nosso bem mais precioso: a saúde.

 

Como diz o ditado, remediar nunca é a melhor opção

Tendo em vista a vasta complexidade do corpo humano e seu dinamismo, existe alguma maneira de ‘garantir’ que nossa saúde se mantenha funcional e ativa com o passar do tempo, seja no presente imediato, seja no longo futuro?

Uma das melhores estratégias é evitar doenças e/ou descobri-las o quanto antes (antes mesmo que os primeiros sintomas surjam). Para a enorme maioria dos problemas de saúde, o diagnóstico precoce abre janelas terapêuticas de grande eficácia, ajudando a evitar os danos progressivos que diversas doenças bastante comuns podem causar.

Um bom exemplo é o diabetes tipo 2. A detecção precoce da hiperglicemia permite o início cedo de tratamentos com medicamentos de controle, com altas taxas de eficácia, assim como mudanças mais fáceis e efetivas em hábitos alimentares e de vida. Tudo isso pode resultar até mesmo na regressão do quadro, evitando que a doença progrida e se torne crônica.

Esse é o foco de nossa conversa de hoje. O que podemos fazer, na prática e ao longo da vida, para garantir um futuro de mais saúde e menos doença? A realização de exames periódicos representa um cuidado com o ‘eu’ presente e com o ‘eu’ futuro, uma ação protetora que evolui junto com o corpo conforme as décadas se acumulam.

Um resumo do que veremos

Décadas dos 20 e 30 anos: Monitoramento de parâmetros básicos de saúde, via exames simples e práticos, para detecção precoce de problemas potencialmente perigosos.

A partir dos 40 anos: Enfoque maior na prevenção de diversos tipos de câncer.

60 anos e acima: Adição de exames específicos para problemas relacionados à terceira idade, como saúde cognitiva, auditiva e óssea. Aumenta-se a frequência dos exames ‘de base’ de saúde, como monitoramento cardiovascular e preventivo contra câncer.

 

AOS 20 E AOS 30 ANOS

Foco é na Prevenção

Para quem não tem alguma doença pré-existente, o acompanhamento da saúde durante as ‘décadas de 20’ e de 30 na vida está focado na detecção precoce de problemas sérios de saúde, além do monitoramento de alguns parâmetros básicos.

➜ A partir dos 20, e especialmente a partir dos 30, é importante manter controle sobre a pressão, o colesterol, a glicemia e o peso. Além de fornecer informações essenciais sobre como está a saúde imediata, esses parâmetros, quando alterados, podem acender sinais de alerta e serem revertidos antes que causem prejuízos duradouros à saúde.

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O melhor de tudo? Esse monitoramento é simples, rápido e barato de ser feito. Exames de sangue são capazes de detectar alterações de colesterol e de glicemia, por exemplo, e até mesmo exames ambulatoriais podem trazer dados suficientes para um diagnóstico de pressão alta ou baixa.

Falando em pressão sanguínea, a pressão alta é um bom exemplo da importância dos exames de monitoramento nesta faixa etária. Essa condição de saúde pode ficar assintomática durante muitos anos, ainda assim gerando danos internos progressivos, que aumentam o risco de doenças cardiovasculares no futuro. Ter pressão alta durante muitos anos aumenta consideravelmente os riscos para Acidente Vascular Cerebral, infarto, insuficiência cardíaca, falência renal e perda de visão. Identificada cedo, existem diversas opções terapêuticas e comportamentais que podem controlá-la com grande sucesso. O mesmo vale para exames de medição dos níveis de colesterol.

Além destes exames mais ‘gerais’ de saúde, na faixa dos 20 aos 39 é importante, também, ficar atento para questões de saúde sexual e mental – afinal, é no início da vida adulta em que costuma ocorrer o pico de atividades sexuais e do número de parceiros diferentes, assim como um acúmulo (muitas vezes) súbito de responsabilidades e de problemas no dia a dia. Ter o acompanhamento de um profissional de saúde para tirar dúvidas e receber orientações é um importante suporte rumo à meia idade.

 

A questão do câncer colorretal

Você já deve ter se deparado, nas redes sociais, com relatos de pessoas bastante jovens, na faixa dos 20 anos, que foram diagnosticadas com câncer colorretal. Essa notícia assusta e parece incomum, já que esse tipo de câncer é perigoso e costuma ser associado a pessoa acima dos 50 anos.

Nos últimos anos, porém, a incidência na faixa etária abaixo dos 30 aumentou consideravelmente em todo o mundo. Um estudo recente (veja nas referências ao final do texto) mostrou aumento no diagnóstico na faixa etária abaixo dos 49 anos em 27 dos 50 países estudados, com motivos ainda não bem compreendidos. O aumento no número de exames entre os mais jovens pode ajudar a explicar essa tendência.

Se encontrado e tratado cedo, o câncer colorretal tem chances de cura na casa dos 90%. Esse número pode cair para menos de 30% nos casos mais avançados e com metástase.

Em vista destes dados, pessoas com histórico familiar da doença ou com fatores de risco como obesidade e/ou pólipos intestinais estão sendo estimuladas a iniciar o monitoramento bem antes dos 50 anos (como comumente é indicado), em alguns casos antes mesmo dos 40 anos.

O câncer colorretal é o terceiro mais comum no mundo, e o segundo em número de mortes. Quanto antes for diagnosticado, maiores as chances de cura completa, com baixo impacto na expectativa de vida.

 

SAÚDE AOS 40

Atenção contra o câncer e as doenças crônicas

Chegar aos 40 anos, atualmente, é muito diferente do que ocorria há apenas algumas décadas. Hoje, a maturidade ainda está associada a um estilo de vida bastante ativo, e a vida profissional está longe de seu ápice. A correria do dia a dia e as responsabilidades familiares costumam preponderar nessa década, e muitas vezes o cuidado com a saúde (inclusive mental) é deixado de lado.

Todavia, é bom lembrar que o corpo é uma ‘máquina’ em constante funcionamento, e a partir dos 40 anos a incidência de uma série de doenças começa a aumentar – muitas delas especialmente sérias, como o câncer. Se a pessoa não se cuidou ao longo da vida, é também a partir dos 40 que muitas consequências de uma ‘vida desregrada’ aparecem (o que é bastante comum em quem fuma ou ingere álcool em excesso, por exemplo).

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Por tudo isso, ao longo dos ‘anos 40’, tanto a variedade quanto a periodicidade de exames de saúde precisam aumentar.

Em termos de câncer, exames preventivos para câncer de mama, de próstata e colorretal são fundamentais. Para as mulheres, os exames anuais do câncer de mama podem se iniciam entre os 40 e 50 anos, em alguns casos. A genotipagem de HPV devem ser feita a cada 5 anos, a partir dos 25 anos de idade. Para os homens, a partir dos 40 anos devem ser iniciadas as conversas com o urologista, assim como os exames de monitoramento da próstata. Em ambos os casos, pessoas com fatores de risco para a doença podem iniciar os exames bem cedo, na casa dos 40. Isso vale também para quem tem riscos altos de câncer colorretal, realizando a primeira colonoscopia aos 40 ou 45 anos.

Nessa faixa etária, a depender do histórico familiar e pessoal, pode-se indicar os primeiros exames de densidade óssea (por exemplo, para pessoas com menopausa precoce ou em uso de corticoides), eletrocardiograma, hemogramas mais completos e detalhados, exames de visão e de perfil lipídico.

 

ANOS 60 E ALÉM

Monitoramento constante e o controle do declínio físico

É inevitável que, com o acumular dos anos, as funções vitais do corpo percam vigor e não funcionem tão bem quanto antes. Isso inclui os processos ‘curativos’ do organismo, relacionados ao funcionamento do sistema imune. Ao chegar à terceira idade, portanto, além de ‘consertar’ os sistemas que se degradaram naturalmente ao longo do tempo, é fundamental dar uma atenção mais que especial à saúde como um todo, que se encontra em um momento mais vulnerável e propensa a pioras.

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Esse cenário pode parecer não muito estimulante. Hoje em dia, porém, há maneiras de cuidar de boa parte destes obstáculos da velhice, com algumas consequências muito positivas para a qualidade de vida. E tudo começa com a prevenção.

A maior parte dos exames que já vimos anteriormente, como aqueles para detecção de câncer, se mantêm essa faixa etária: mama, próstata e colorretal. Além deles, aumenta-se a frequência de exames de rotina para monitoramento da saúde cardiovascular (colesterol, pressão sanguínea, diabetes e similares).

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Alguns novos exames que devem ser realizados a partir dos 60 anos monitoram a saúde cognitiva (para detecção precoce de demências, especialmente Alzheimer). Com eles, tanto paciente quanto seus familiares podem se preparar com antecedência para as consequências sempre impactantes de uma demência, além de buscar tratamentos medicamentosos que podem retardar sua evolução.

Nesse sentido, vale ressaltar a relevância de exames de audição. Se, por um lado, é natural perder parte da audição conforme se envelhece, por outro não é verdade que o idoso precise viver sem ouvir bem. Já se sabe que a piora na audição é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de demência, de isolamento social e de declínio cognitivo no geral. Os exames auditivos são simples de serem feitos, não-invasivos e podem ajudar a delinear as melhores estratégias para recuperar a audição (como o uso de aparelhos).

O uso de aparelhos auditivos pode reduzir em até 19% os riscos de longo prazo de declínio cognitivo, incluindo demências, segundo o Alzheimer´s Research UK.

Um outro exame muito importante nessa faixa etária é o monitoramento para osteopenia e osteoporose, realizado por meio de testes de densidade óssea. A perda de massa óssea costuma se acelerar a partir dos 50 anos, tornando os ossos mais porosos e frágeis, propensos a fraturas. Os exames ajudam a identificar se a perda óssea está de acordo com a idade e progredindo de uma maneira natural, ou se é decorrente de problemas como falta de vitaminas, perfis hormonais ou como resultado de medicamentos.

Logo após a menopausa, mulheres podem perder até 20% de sua densidade óssea em um período de 5 a 7 anos.

 

Cuidar da saúde nunca tem fim

As dicas e orientações acima traçam um panorama amplo de exames importantes para a população em geral. Mas a saúde é um processo complexo e dinâmico, que varia de pessoa para pessoa. Por isso, a quantidade e os tipos de exames devem ser determinados junto a um profissional de saúde, que compreenderá seu histórico pessoal e familiar, levará em consideração fatores como idade, alimentação, estilo de vida e doenças pré-existentes, e com base em todos estes aspectos criará um planejamento personalizado de exames.

Além destes exames, é sempre bom lembrar 02 fatores de grande impacto na saúde, e que valem para toda a vida: vacinação é fundamental em todas as idades, ajudando a prevenir doenças, fortalecendo a saúde e promovendo um futuro mais saudável; e nunca se esqueça da saúde bucal, uma área muitas vezes relegada, mas com impactos não apenas em dentes e gengivas, mas no corpo como um todo.

 

A verdade é que manter a saúde ‘dá trabalho’. Exige disposição, planejamento e ação preventiva. E exige mais atenção conforme as décadas passam. Apesar disso, fica o alento: todo esforço é valorizado. Detecção precoce e tratamentos feitos logo no início de uma doença não têm preço quando o assunto é saúde, evitando problemas muito maiores no futuro e permitindo que o corpo mantenha seu ritmo de evolução natural.

HVC - Perfis de Médicos - Posts - Dr Atila Vendite

 

Para saber mais e referências:
  • Quantas células morrem e são criadas todos os dias no nosso corpo? Ver “Amarante-Mendes GP. Cell death and the well of the organism. Cell Mol Life Sci. 2010 May;67(10):1565-6. doi: 10.1007/s00018-010-0334-6. Epub 2010 Mar 12. PMID: 20224989; PMCID: PMC11115898”.
  • Dados sobre a incidência do câncer colorretal no mundo e o impacto na saúde: ver “Sung H, Siegel R, Laversanne M et al. Colorectal cancer incidence trends in younger versus older adults: an analysis of population-based cancer registry data. The Lancet Oncology, 2024; 26, 51-63” e “Cao AMY, Lonne MLR, Clark DA. Long-term survival outcomes in young-onset colorectal cancer: A population-based cohort study. Colorectal Dis. 2025 Feb;27(2):e70007. doi: 10.1111/codi.70007. PMID: 41980275; PMCID: PMC11876488”.
  • Sobre perda auditiva e demência, ver “Cantuaria ML, Pedersen ER, Waldorff FB, Wermuth L, Pedersen KM, Poulsen AH, Raaschou-Nielsen O, Sørensen M, Schmidt JH. Hearing Loss, Hearing Aid Use, and Risk of Dementia in Older Adults. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2024 Feb 1;150(2):157-164. doi: 10.1001/jamaoto.2023.3509. PMID: 38175662; PMCID: PMC10767640” e “Alzheimer’s Research UK: https://dementiastatistics.org/statistics/hearing-loss/”.
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